Sangue na Guelra – Simpósio 2018: Quando ouvimos falar de Alimentação e parece que levamos um ‘murro no estômago’ – Parte I

Todos sabemos mais ou menos o estado das coisas. Mas não basta ter essa consciência, temos de atuar! Todos e cada um de nós! Esta foi a grande mensagem que retirei do Symposium 2018 #Cooktivism, que este ano teve lugar na Gare Marítima de Alcântara, em Lisboa, e que contou com a presença de importantes influenciadores nesta matéria.

Sangue na Guelra

Quando cheguei à conferência, logo pela manhã, tinha à minha disposição, tal como quem por lá se encontrava, um agradável pequeno-almoço que me reconfortou o estômago. O que eu não sabia, mas já deveria esperar, é que quando entrasse no auditório e começasse a ouvir os oradores iria sentir um grande desconforto.

Não que a primeira refeição do dia me tivesse caído mal, bem pelo contrário, mas porque não gostei de saber o atual estado das coisas e, ainda menos, para onde estamos a caminhar.

Esta foi uma das poucas vezes em que senti que devia ter um comportamento desviante! Que tinha de deixar de apenas ouvir e reportar e começar a ATUAR.

Creio que este foi o propósito – sem maldade – de Francisco Sarmento. O representante da Food & Agriculture Organization of the United Nations (FAO), em Portugal, deu início à conferência com a palestra ‘AlimentAÇÃO: Juntanto a Fome com a Vontade de Comer’.

Francisco Sarmento, FAO Portugal

Francisco Sarmento chamou à atenção para o atual estado da alimentação, desde o que comemos ao que desperdiçamos.

Em relação à água que consumimos, tem ideia de que em 2050 teremos disponível apenas metade do que existe atualmente? Pois é, dá que pensar!

5,9 milhoes de portugueses (quase 6 em cada 10) tem obesidade ou pré-obesidade.

10,1% das famílias em Portugal experimentaram insegurança alimentar em 2016.

Estes são somente alguns desequilíbrios do sistema alimentar atual. O responsável alertou para o facto de uma trajetória errada e galopante, apontando que a direção certa passa pela promoção de políticas públicas adequadas.

O grande desafio é promover uma transição para sistemas alimentares mais sustentáveis e equitativos. Por defender o Direito Humano à Alimentação Adequada, a FAO está a trabalhar no sentido de “forçar” a Assembleia da República a criar esta lei.

Eis o que a AlimentAÇÃO defende:

Aumentar a prioridade do tema

Contribuir para novas políticas públicas

Adequar a legislação

Organizar a governança alimentar

“Perante os desafios do sistema alimentar é urgente atuar”, Francisco Sarmento, FAO.

Na mesma linha de pensamento e com o mesmo objetivo em vista, surge  Alfredo Sendim. Quando herdou a Herdade do Freixo do Meio, no Alentejo, dedicou-se à recuperação do montado, um agro-ecossistema particular e elegeu a Agroecologia como ética de gestão.

Hoje dirige a cooperativa de usuários do Freixo do Meio. Uma comunidade com um projeto de Economia Social que procura uma sustentabilidade económica a par da prática efetiva de políticas sociais e ambientais adequadas.

Cada elemento que lá trabalha tem a sua competência e a responsabilidade é partilhada.  Nos 500 ha da Herdade uma equipa de 30 co-produtores (colaboradores) interagem com o ecossistema obtendo um conjunto de mais de 200 alimentos de produção própria de Agricultura Biologica.

Esses produtos são transformados na herdade e distribuídos através de um Programa CSA Partilhar as Colheitas, de uma loja online, e por duas lojas, uma na herdade e outra no Mercado da Ribeira, em Lisboa. Há muito valor a ser construído naquela Quinta, que Alfredo diz ser de todos e ter as portas sempre abertas para quem, gratuitamente, os quiser visitar.

“Defendemos uma atuação coletiva (…). O respeito pelos seres deste planeta, apostando numa ética, que passa também por respeitar o ciclo de fertilidade da natureza.”, Alfredo Sendim, Herdade do Freixo do Meio.

Aos poucos, a dor foi-se atenuando. O humor dos convidados estrangeiros que subiram ao palco teve um efeito analgésico. A dupla de cozinheiros Bo Songvisava e Dylan Jones, deram-nos a conhecer algumas das práticas mais sustentáveis que têm vindo a implementar no seu restaurante Bo.Lan em Banguecoque.

A reutilização de determinados ingredientes para fins diversos, o uso de painéis solares no restaurante, reduzir ao máximo a utilização de plástico são algumas das medidas usadas pela dupla naquele restaurante da Tailândia.

Por exemplo, sabe o que eles fazem ao óleo usado? Juntam-lhe hidróxido de sódio e tornam-no num sabão natural, substituindo assim o sintético.

E com as cascas de fruta como a lima e a laranja? Depois de moída, colocam a casca num frasco vaporizador,  adicionam-lhe bicarbonato de sódio, esperam até que a espuma, criada entretanto, baixe, agitam, et voilá, um ambientador mais que perfeito!

E o que fazem às cascas e cabeças de camarão, escamas de peixe e cascas de choco? Secam, moem e transformam-nos em comida orgânica para alimentar as  galinhas.

Isto é só uma pequena amostra do que eles reutilizam. Bo Songvisava e Dylan Jones estão empenhados em reduzir a pegada ecológica do restaurante e querem ainda este ano tornar o Bo.Lan um espaço carbono zero.

A encerrar a manhã deste Simpósio Sangue na Guelra 2018, pouco antes do almoço que por ali iria ser servido, podemos ouvir Alexandra Forbes.

Alexandra Forbes

Colunista da Folha de São Paulo e editora de Gastronomia da GQ Brasil, Alexandra co-fundou com a ONG Gastromotiva e o chef Massimo Bottura o Reffetorio Gastromotiva, um restaurante-escola que além de reaproveitar excedentes de alimentos e servir jantares gratuitos à população carenciada do Rio de Janeiro, também apoia jovens de classes desfavorecidas que querem profissionalizarem-se na área da gastronomia.

Após a exibição de um vídeo que dava conta do trabalho efetuado no Reffetorio, apenas com voluntários a servir as ditas refeições (todos os dias das 18h às 19h), Alexandra Forbes explicou as motivações que a levaram a dar este passo e mostrou que qualquer pessoa em qualquer parte do mundo o pode fazer.

Atualmente existem quatro Reffetorios espalhados pelo mundo (Rio de Janeiro, Milão, Londres e Paris), mas Forbes acredita, e tem esperança, que possam vir a surgir muitos mais. E, claro, deixou o repto: “Por que não em Lisboa?!”

Agora sim, estava na altura de voltar a aconchegar o estômago! Porque ouvir praticar o bem dá vontade de arregaçar as mangas, mas também aguça o apetite!

Symposium 2018 Sangue na Guelra

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