Este lenço da Hermès tem assinatura portuguesa

Bela Silva é a primeira portuguesa a desenhar um lenço para a Maison des Carrés, da Hermès.

Um processo que esteve guardado no segredo dos deuses durante dois anos, o tempo necessário para concretizar aquela que é talvez a criação mais mediática da artista plástica, o lenço de seda “A Casa dos Pássaros Falantes”, da Hermès.

Tudo começou quando alguém ligado à Hermès viu o seu trabalho exposto numa galeria em Paris e quis saber mais sobre a sua autora. Tratava-se de uma exposição de cerâmicas e desenhos, em nome próprio.

Entrou, viu, gostou e viajou até ao atelier da artista em Bruxelas para conhecê-la pessoalmente. “Tive várias reuniões na Hermès, onde apresentei três ideias que foram a discussão. Eles gostaram de todas, mas escolheram uma”, conta Bela Silva.

Começou a trabalhar com a conceituada marca francesa há dois anos e apesar da vontade de partilhar a boa-nova, não podia fazê-lo. “Fica tudo em segredo porque nunca se sabe se vai para a frente ou não. Pode não resultar por causa das cores dos desenhos, mas gostaram muito do resultado. Há muitas colagens de papéis diferentes, muitas rendas, ficou muito bonito. Acho que quando as pessoas vão à loja e vêm o lenço sentem orgulho por saber que foi feito por uma portuguesa… e isso é muito bom!”

Nunca imaginou ter tamanho feedback. Chegou a pensar que o tema iria passar despercebido, mas quando há cerca de uma semana começou a ser contactada pela comunicação social, percebeu o impacto que tem trabalhar com esta insígnia internacional.

Confessa que em alguns momentos ficava um pouco incrédula visto ser um sonho de miúda. “Gosto muito das artes decorativas. Todos me diziam que os meus desenhos deviam funcionar muito bem em tecidos”. Nunca tinha feito algo semelhante, mas diz: “comecei bem!” Não temos dúvidas!

Bela Silva assume estar muito feliz com o resultado final, mas há algo que lamenta profundamente. “O lenço tem umas cores lindíssimas. Estou muito contente. Só tenho pena de não ver a minha mãe a usar o meu lenço da Hermès… Adorava vê-la”.

Quanto à experiência,“foi fantástica”, refere. “São muito profissionais, são verdadeiros experts e o resultado é de uma grande qualidade”. E isso reflete-se no preço: custa €360. É um valor elevado, mas tem uma ou muitas razões para o ser. “Não volta a acontecer. É uma peça única. Pertence à coleção primavera/verão 18 e não volta a estar disponível. Quando acabar, acabou”.

A artista plástica garante que gostava de continuar a desenvolver este tipo de projetos por considerar que o seu desenho encaixa perfeitamente neste tipo de trabalho. Porém, o importante para si é estar a criar.

Talvez a moda seja mais um caminho e surja a possibilidade de trabalhar com outras casas, quanto à Maison des Carrés? “Vamos ver, eles gostaram, ficou a porta aberta, agora vou mantendo o contacto. Vou trabalhando e se achar que tenho desenhos interessantes para a marca posso sempre sugerir.”

Está há seis anos em Bruxelas, onde tem o seu atelier, que segundo diz “é muito bom e seria impossível ter um igual em Paris, Londres ou em Nova Iorque”. O balanço que faz desta sua nova residência, depois de ter passado por  Barcelona, Chicago e Nova Iorque, é muito positivo. Tem conhecido pessoas muito interessantes, o único senão é o céu sempre cinzento, a falta de luz. “Tento focar-me noutros pontos positivos de Bruxelas. Tentar esquecer esse cinzento do céu e procurar virar-me para aquilo que mais gosto em Bruxelas”. Talvez um dia mais tarde, regresse.

O Tango dos Nossos Amores é o nome da exposição patente na Galeria Alecrim 50, na rua do Alecrim, em Lisboa, até 17 de março de 2018. É com esta galeria que trabalha em Portugal, a qual já a representa há 10 anos.

Desta mostra fazem parte um conjunto de trabalhos feitos ao longo dos anos, a partir de colagens de tecidos. “Peguei em vários desenhos que fiz ao longo do ano e outros que tinha no meu atelier e esta exposição é o resultado dessa escolha”O Charme Estranho é um dos quadros presente, inspirado numa gravura persa.

A última exposição em Portugal ocorreu há cerca de um ano e meio e chamava-se Zotten, que significa “malucos” em flamengo. Um trabalho baseado em colagens, inspirado no artista flamengo James Ensor, que tem esse género de personagens.

O desenho, o barro, a cerâmica são materiais com os quais gosta de trabalhar. Os painéis de azulejo da estação de metro de Alvalade são da sua autoria.

Sabe como se fazem os famosos lenços da Hermès?

Tiago de Paula Carvalho e site Hermès

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