#Cooktivism: o Simpósio Sangue na Guelra, Parte II

Coube-me a mim acompanhar a segunda parte do Symposium #cooktivism do Sangue na Guelra. Cruzo-me à saída da redação com a Patrícia Toste de Sousa “Muito giro, obriga-nos a pensar e a tomar consciência de muita coisa!”.

Identidade, Sustentabilidade e Ação são os três grandes ganchos deste simpósio #cooktivism, inspirado no Manifesto para o Futuro da Cozinha Portuguesa, lançado em 2017.

Para a tarde estão agendadas três apresentações: Rita Sá da Associação Natureza Portugal da WWF; Douglas McMaster do restaurante Silo; e Alex Atala do restaurante D.O.M. e Instituto Atá.

É Rita Sá quem abre as hostes do simpósio, da parte da tarde. A pesca insustentável e as alterações climáticas que ameaçam a vida marinha e a segurança alimentar de mais de mil milhões de pessoas é o que a move. A nós, que estamos a assistir, Rita coloca o dedo na ferida sem cerimónias, perguntando aos presentes quem é que é activista por uma causa? Não há muitos. E quem diz nesta sala, diz lá fora. “Há uma falta de cultura participativa, em Portugal” afirma Rita e nós só podemos concordar.

#cooktivism

“Sabia que cada um de nós consome em média 20kg de pescado por ano, quase o dobro de há 50 anos.Seria difícil imaginar as nossas dietas sem peixe. Para satisfazer o nosso apetite, estamos a apanhar mais pescado do que o oceano pode produzir.” Fonte: guiadopescado.wwf.pt

O projeto Fish Forward relacionado com o consumo de pescado a nível europeu, a Associação de Mariscadores das Berlengas com quem têm trabalhado e a pesca ilegal de cavalos-marinhos na Ria Formosa, foram outros dos pontos que Rita Sá evidenciou na sua apresentação. São números, dados e realidades que nos obrigam a pensar e a agir!

Douglas McMaster do restaurante Silo, em Brighton é o senhor que se segue. À medida que o vamos ouvindo, vamos percebendo que não é por acaso que este restaurante de filosofia desperdício zero, recebeu em 2016 o prémio Best Ethical Restaurant pelo Observer Food Awards.

#Cooktivism

À partida poderia pensar-se que o Silo seria só mais um restaurante desperdício zero, mas depressa percebemos que aquilo que poderia ser uma boa jogada de marketing é afinal um estilo de vida transversal a todo o restaurante. Tudo faz sentido e tudo é pensado ao pormenor, para que de se adopte de facto e a toda a linha o desperdício zero.

“O desperdício é uma coisa típica dos humanos e eu sou um apaixonado por prevenir o desperdício zero”, Douglas McMaster

Para ter uma ideia todos os produtos são biológicos e provenientes de pequenos produtores, os mesmos são entregues em embalagens recicláveis de biodegradáveis. A ideia é ir buscar a matéria prima aos produtores e produzir tudo aquilo de que precisam. “Só assim conseguimos operar fora do sistema industrial” afirmou Douglas e acrescentou: “a industrialização oferece-nos comida que parece que está viva, mas não está. Faz sentido isto? Não. Nós no Silo trabalhamos diretamente com a natureza e dizemos não ao sistema”.

E porque a ideia passa também pelo espaço, as cadeiras são feitas com aglomerado de madeira, as almofadas com jeans usados e o enchimento com meias velhas. Na zona do bar, os tampos das mesas é feito com restos de plásticos e os pratos de servir também. Ainda no bar a parede é forrada com borracha de pneus usados.

Mas não é só no aspecto que conta. No silo há uma brewery e por exemplo os limões que sobram, juntam-se às borras de café e podem ser um excelente caminho para aromatizar umas cenouras. Tudo está interligado e tudo fazer sentido neste conceito, absolutamente 360º. O menu é projetado nas paredes do restaurante. Porquê? Para não se gastar papel e tinta na impressão.

Se sobrar leite ao fim do dia, depois de terem sido servidos inúmeros latte, o leite que sobrou é guardado num frasco e mais tarde será transformado em queijo.

No Silo faz-se miso com restos de pão e enaltecem-se os brócolos quando estes são muitas vezes considerados produto de segunda. Tudo se aproveita, nada se desperdiça.

“É difícil adoptar o desperdício zero num mundo industrializado, mas se criarmos o nosso próprio sistema é fácil”, Douglas McMaster

 

Já só falta o último orador e também o mais esperado: Alex Atala! O nome por detrás do restaurante D.O.M. (2 estrelas Michelin, em São Paulo) vem aqui falar, não tanto de fine-dining mas do Instituto ATÁ. Esta é uma organização que fundou com ambientalistas, fotógrafos, publicitários, um antropólogo e um jornalista.

#cooktivism

O Instituto Atá visa promover uma cozinha mais sustentável, recuperar produtos endógenos e ingredientes selvagens do Brasil e aproximar laços entre produtores e cozinheiros

Alex Atala está prestes a completar meio século de vida, desses 35 foram passados dentro de uma cozinha. Sobe ao palco deste #Cooktivism com uma t-shirt e é enquanto fala que veste a sua jaleca. “Sinto-me com super poderes quando visto a minha jaleca”, diz-nos.

“Foi na cozinha que aprendi a maior lição humana: o prazer de fazer sorrir através da comida”, Alex Atala

 

As nossas desculpas pela fraca qualidade do vídeo que se segue, gravado-lo não com a intenção de um difundir e aqui mais do que a imagem é a mensagem que conta!

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