À conversa com… Salomé Gorgiladze, administradora delegada do Grupo Sana

Fomos ao encontro de Salomé Gorgiladze, um dos rostos por detrás do projeto Sud Lisboa, em Belém – o qual lhe damos conta na edição da revista Lux Gourmet, que está nas bancas. Um espaço jovem, bonito, multifacetado, ousado e arrojado, tal como a Salomé.

Salomé Gorgiladze

Salomé Gorgiladze. 27 anos. Nasceu em Tbilisi, na Geórgia. Estudou e viveu em Genebra, na Suíça. Mudou-se para Portugal com a família, no momento em que o pai se tornou no primeiro embaixador da Geórgia em terras lusas. Por cá, concluiu o Mestrado em Gestão na Universidade Católica, em Lisboa. Atualmente, é administradora delegada do Grupo Sana e responsável pelo projeto Sud Lisboa, com outros desafios importantes a caminho.

“Quando disse aos meus amigos que vinha para Portugal, todos me perguntaram o que vinha fazer. Na altura a Suíça estava cheia de portugueses a trabalhar nos grandes centros e a viver nos arredores, onde a vida era menos cara. Todos me diziam que cá não havia trabalho. Ninguém conhecia bem Portugal. Era muito diferente do País que é hoje”, conta Salomé Gorgiladze.

No entanto, por cá, encontrou algo que não se encontra facilmente numa terra que não é a nossa. “Uma semelhança e proximidade cultural com os georgianos. São culturas muito idênticas, com valores muito idênticos. Culturais, religiosos, familiares! Os portugueses são muito hospitaleiros. Aqui sinto-me em casa!”

Afinal, ao contrário do que se pensava, havia ainda muito trabalho por fazer em Portugal. “Portugal está a ser uma nova descoberta para o mundo. O mesmo começa a acontecer com a Geórgia, considerada a pérola oeste da Europa. É chamada a pequena suíça da região onde se situa. Temos o mar negro, resorts para esquiar, montanhas, um clima ótimo. Fazemos fronteira com Rússia, Turquia, Azerbaijão, Arménia, e somos um país cristão no meio de uma região muçulmana. Temos o irão e países do médio oriente ao lado, mas apesar de sermos um país relativamente pequeno, com 5 milhões de habitantes, conseguimos manter a nossa identidade, tradição e religião. Conseguimos sobreviver às invasões seculares”.

As semelhanças entre a Geórgia que a viu nascer e Portugal que tão bem a acolheu, aponta-as da seguinte forma: “Por sermos um país cristão, pequeno, e com um clima maravilhoso. Acho que é daí que vem a minha empatia e amor com Portugal, porque tem muitas linhas em comum com a Geórgia”.

O seu percurso, a experiência que foi adquirindo em simultâneo com a formação, permitiu-lhe enriquecer o seu currículo. Aos 16 anos foi para Genebra, para acabar a escola e entrar na Universidade. Foi lá que começou a sua carreira profissional, a trabalhar nas Nações Unidas, e no último ano e meio em Private Equity. “Não é fácil conciliar os estudos com o trabalho, mas permite-nos ganhar a maturidade necessária para complementar as duas coisas. Foi aqui que me apaixonei pelo mundo dos negócios”.

Chegou a Lisboa em 2011. “Encontrei um país muito especial, com uma grande abertura para receber os estrangeiros”. E, num curto espaço de tempo, Salomé deixou de ser “foreigner” para ser “local”.

Já em Portugal, e por ser uma das melhores alunas do Mestrado de Gestão na Católica, trabalhou, como Board Advisor & Manager, no projeto de desenvolvimento de supermercados na Bielorrússia, um projeto de Luís Amaral, empresário português, CEO da Eurocash. “Ele começou com a Jerónimo Martins, na Biedronka, na Polónia, e fez a segunda maior empresa da Polónia, num país com cerca de 40 milhões de habitantes, não é brincadeira”.

Ainda que, neste momento esteja a viver sozinha em Portugal – a irmã reside em Milão e os pais voltaram para a Geórgia -, tem na família a base de tudo. “Somos muito ligados, falamos muito. Fazemos muito o balanço do que se passa nas nossas vidas e é muito importante este equilíbrio emocional e profissional. A nossa ideia de família é sermos realizados e independentes, e isso não significa perder a nossa ligação familiar. É muito importante para nos ajudar a crescer. Encontramos muitas barreiras ao longo da vida, mas somos novos e temos uma vida toda pela frente. E há uma coisa que ninguém nos pode tirar, a nossa educação e formação. Com know how e a atitude correta temos tudo para ir além. É preciso atitude!”

E isso não lhe falta, com certeza. Pessoa curiosa por natureza, aproveitava os dias de folga na Católica para conhecer melhor o País. “Viajava muito por Portugal e descobri muito mais sítios que os meus amigos portugueses, sítios que ninguém conhecia. Temos de observar o que está à nossa volta. É muito importante”.

Desvaloriza a crítica que tantas vezes é feita aos jovens, de não terem experiência para liderar determinados projetos, mas sublinha as vantagens destes, como, por exemplo, “o facto de arriscarem mais, de quererem surpreender o mundo e inovar”.

“Nunca fiz nada sozinha ao longo da minha vida, e tive sempre grandes líderes. Tive muita sorte em entrar no grupo Sana, onde o CEO e a própria administração, complementam a juventude, a experiência e diferentes perfis. Apostam em coisas diferentes e inovadoras”.

Trabalha no Grupo Sana há três anos. Quando terminou o mestrado tentou procurar a melhor empresa no mercado para trabalhar e evoluir, e diz tê-la encontrado. “É uma grande referencia para mim o que o grupo está a fazer na área da hotelaria e agora na restauração. Tive a sorte de ser selecionada e de me juntar à equipa”.

Foi no momento em que o grupo estava a investir em Belém. Tinham acabado de comprar o antigo Piazza di Mar e o BBC, mesmo ao lado. “Começamos a pensar no conceito que ali se enquadrava melhor. Lisboa merecia mais, e Belém com esta vista… Queríamos presentear a cidade de Lisboa com um projeto único. Começamos então a pensar no que podíamos fazer para acrescentar valor a esta área toda, ao nosso grupo e à cidade de Lisboa, e começamos a criar o Sud.”

Foi um processo longo, diz. Fizeram muitas viagens: Estados, Unidos, Istambul, Azerbaijão, Londres, Espanha, Suíça – onde andou por sítios que já conhecia bem. E ao contrário do que acontece na Suíça, afirma que em Lisboa as pessoas não têm o hábito de ir jantar aos hotéis, quando organizam jantares especiais. “Lá, os melhores restaurantes são precisamente nos hotéis. Os portugueses, não têm esta cultura, e muitas vezes têm ideia de que é mais caro. Mas pelo contrário, temos chefs muito bons que criam momentos gastronómicos maravilhosos. O mesmo aconteceu com os eventos. Os nossos hotéis de cinco estrelas já eram palco de eventos de grandes empresas, já tínhamos esse know how nos nossos hotéis. E então pensámos em fazer um projeto, o primeiro fora da hotelaria, mais ligado ao turismo, mas também dar sabor Sana aos clientes, que não são clientes dos hotéis”. E, garante: “O Sud é tão internacional, tão sofisticado e diversificado em termos de oferta, que podia ser replicado em Sud Paris, Sud Miami, Sud Porto, Sud Londres… há esta hipótese, mas a médio e longo prazo”.

No entanto, o ponto de partida para pensar o Sud Lisboa, foi mesmo em Belém. “Começamos por nos inspirar aqui, neste espaço e nesta paisagem. E depois fomos juntando o nosso know how e experiência aos sítios que íamos visitando, mas basicamente a inspiração partiu de cá e não de outro sítio do mundo. Lisboa merece este tipo de projeto”. E relembra, que mesmo num momento de crise, quando as empresas foram investir lá fora, o Grupo Sana foi um dos principais investidores do País. “Criámos valor à nossa economia. Temos uma visão de longo prazo -, acreditamos no País onde estamos e onde estão concentrados a maioria dos nossos investimentos, ou seja, em Portugal”.

Com abertura do Sud, Salomé já não anda tanto de mala às costas. Mas isso não quer dizer que não as tenha sempre preparadas. A pequena, a grande e a média, depende da distância e dos dias. E se pensa que Salomé se cansa disso, está enganado. “Não é cansativo, pelo contrário, é onde vou buscar energia. Conseguir viajar, descobrir as novas tendências, ver o que está a acontecer no mundo, ir às feiras, a nível mobiliário, por exemplo. Não tem necessariamente que ver com a minha esfera, mas como estou na conceção dos projetos, tento perceber quais são as tendências de design, de espaços, mobiliário, peças… há muito pormenor por trás, temos de estar sempre com os olhos abertos. E o facto de sermos jovens permite-nos isso, inovar, aprender e não é cansativo de todo. É empolgante”.

E, questionada sobre se se via a viver noutro local do mundo, responde: “Não me vejo a viver agora fora de Portugal e da Geórgia, são nestes dois países que tenho a minha família, a pessoal e a profissional. Tenho a minha vida organizada assim. Mas se amanhã tiver de ir viver para Nova Iorque ou Londres, também não há problema. Sou uma pessoa que se adapta bem, e não tenho o problema da língua, visto que falo muitas línguas, o que também ajuda. Não tenho qualquer problema em ir fazer novos projetos para novos países, mas sempre ligada ao grupo Sana e à família”.

Neste momento diz estar muito ligada aos  projetos que tem em mãos. E o seu vinculo à empresa na qual trabalha é já um estilo de vida. “É difícil separar trabalho da vida pessoal. É precisamente aí que nos conseguimos sentir realizados, quando o trabalho não é trabalho e é um estilo de vida. Quando fazemos o que gostamos”.

Como administradora do projeto, impõe-se, naturalmente, que fique mais tempo por aqui. “Estamos numa fase do projeto em que temos de estar presente para ter a certeza de que vamos continuar com toda a exigência com a qual iniciámos o projeto”.

Para inaugurar em 2019, Salomé Gorgiladze e o Grupo Sana, têm já outros dois desafios em curso: os hotéis Evolution e Epic Sana, em Casablanca, Marrocos. A par com a ampliação do Sana Lisboa, na Fontes Pereira de Melo.

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